terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Eclosão











Propôs-me a fotografar elementos no campo visual do cotidiano urbano, presentes no meu percurso de andarilho soteropolitano, cidade, que constrói minha expressão estética como artista visual, onde prático errâncias relutantes a inalterabilidade.

Eclosão, como chamo este ensaio fotográfico e como o nome sugere, é um desenvolvimento peculiar dos objetos tomados, fotografados, para construção de um novo significado, mais pessoal, que comunicasse formas e figuras presentes no meu percepto, aliado aos devaneios provindos de ficções científicas.

Os Postes de iluminação são formas tridimensionais que engendram uma linguagem visual carregada de elementos conceituais: linhas, tamanho, volume e ponto. Seu formato alongado, formado por linhas, proporciona uma composição retilínea podendo estabelecer inter-relações com elementos conceituais e espaciais.

Eclosão participou do Salão de Desgin promovido pela FUNCEB, no palacete das arte, 12/2007 a 02/2008.

* Essa capacidade de produzir sem forçosamente tudo elucidar proporciona ao ato artístico uma grande eficácia operacional. A arte manisfesta as contradições, às quais dá a sua plena expressão, em vezes de buscá-las eliminá-las; dedica-se, aliás, a trabalhá-las

que a reduzi-las.


* Sylvain Maresca

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Voo Geométrico







Voo geométrico inspirou-se inicialmente num projeto chamado “eclosão”, mas tomou um rumo conceitual diferente, mantendo, porém a mesma técnica: a fotografia capturada como matriz e sua manipulação digital por programas específicos. Formado por sete fotografias truncadas, o processo de elaboração utilizou-se de técnicas de composição fotográfica (pontos áureos e ângulos de tomadas contra plongée) aliada a uma cuidadosa manipulação digital.
O nome “voo geométrico” surgiu como definição do ato de observar durante o processo de criação, a formação da imagem latente. É um trabalho que resume um olhar sobre a interferência visual causada pelos postes de iluminação pública, que tendo o céu como fundo, utilizam-se de fios, cabos, madeira, concreto, na construção de um 1º plano geométrico, estrutural, figurativo, permitindo uma composição espacial singular.


Participação:
-Salões de Artes Visuais da Bahia, Alagoinhas jun/2008
-6ªBienal de Cultura da UNE, Salvador jan/2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Recalque




Apresentação

Recalque é uma metáfora-crítica sobre um princípio de realidade social contemporânea. Sustenta-se numa seqüência fotográfica, conhecida como fotorromance e apresenta uma narrativa com ritmo específico e cujas imagens apontam ao próprio conteúdo narrado.
O fotorromance “Recalque” foi realizado em fevereiro de 2008 na cidade de Salvador, no bairro do Campo Grande. Com tomadas construídas a partir de um roteiro elaborado, as cenas foram montadas e dirigidas de acordo com uma narrativa de quadrinhos, característica do fotorromance.

“A história dos esforços do homem para sujeitar a natureza é igualmente a história da sujeição do homem pelo homem."¹ A despoetização da humanidade e a inversão de valores em prol de um acúmulo materialista são responsáveis pela reprodução de indivíduos “funcionais e mecânicos”, desprovidos de sensibilidade, que renunciam à si mesmo como indivíduo. São submissos à ditadura da produtividade e a coerção consumista que os alienam enquanto sujeitos fruitivos da catarse - submetendo-os a constantes recalques. Essa exteriorização subconsciente de sentimentos ou desejos não satisfeitos em ocasião oportuna e que, somados, podem gerar graves distúrbios psíquicos tem seus efeitos na praxe do cotidiano, em que o homem perde a noção de identidade e é transformado e reduzido ao status de coisa, mercadoria sem valor de troca. Logo, o autor ver a seqüência das fotos como reflexo do seu próprio recalque. Como observador tento suscitar conflitos que margeiam uma fronteira entre o ser público e o privado, conflitos internos e externos.

O trabalho ganhou menção honrosa no Salão Regional de Vitória da Conquista- 09/2008

¹ Horkheimer, Max. A escola de frankfurt. Editora Moderna. Pág 84

Colaboradores:
Joelma Félix - assistente de fotografia
Vladimir Oliveira - Performer

domingo, 21 de dezembro de 2008

Rizoma na linha vermelha




Rizoma na linha vermelha - 15º Salão do MAM

Coletivo Tríptico (Joelma Félix, Péricles Mendes, Vladimir Oliveira)


A intervenção artística “Rizoma na Linha Vermelha” consiste numa apropriação da intervenção urbana do artista Mineiro Dácio Bicudo. A obra exposta durante o 14º Salão da Bahia foi composta por uma linha vermelha com 10 cm de largura e 3 km de extensão, onde foram escritos nomes de artistas brasileiros conhecidos no cenário artístico contemporâneo. A idéia do trabalho “Rizoma na Linha Vermelha” surgiu durante a oficina “Arte e Filosofia” realizada no Mam em 2007, a partir da aproximação com o conceito de Rizoma desenvolvido por Gilles Deleuze e Félix Guatarri. In(corpo)rando a noção de múltiplo e multiplicidade desenvolvidas nesta forma de pensamento, decidimos experimentar a intervenção na “Linha Vermelha” de Dácio Bicudo, incluindo nela rizomas, afluentes, ramificações descentralizadas que se multiplicam pela cidade, não apenas rasteiramente pelas ruas, mas de forma descontinua atingindo outros espaços. Inserimos nestes “bulbos” nomes de artistas plásticos sem “visibilidade” no cenário artístico baiano e brasileiro, criando um jogo entre reconhecimento e anonimato, implicando também numa abordagem política e social da arte.