quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Diário Contemporâneo - PA




A cidade é um lugar privilegiado de ação da cultura. Nele o artista contemporâneo é parte importante na reconstrução dos valores urbanos. Ele pensa a cidade como meio ambiente social e artístico e o re-configura como espaço concreto e ficcional quando dialoga diretamente com ele. O fotógrafo não só é um atento observador da cidade desde o seu nascimento, como também é um ator fundamental nas representações e identidades sociais do meio urbano. A cidade do século XXI é desafiadora para o fotógrafo contemporâneo porque é constituída de crise e superação diante das questões sociais, ambientais e artísticas.

Diante disto, propomos ao artista um contraponto com o tema “Crônicas Urbanas”: traduzir a cidade como a floresta cultural que precisa ser repensada na mesma medida que as florestas naturais e construir as imagens e histórias vividas no espaço urbano.


O ensaio fotográfico “No logo” consiste em uma pesquisa sobre outdoors espalhados pelo espaço urbano da cidade de Salvador e regiões metropolitanas, visando explorar e subverter a realidade econômica-social imposta por estes suportes comerciais, a fim de resignificá-la poeticamente, por uma mais subjetiva, simbólica. A pesquisa (mestrado) ainda em fase de andamento teve seu nome alterado para Subtraídos – uma estética do desaparecimento.

Nas imagens realizadas à luz do dia nublado, deu-se preferência aos outdoors cujas mensagens publicitárias ou estrutura física estivessem decompondo-se, desfazendo-se pelo tempo. A intenção é criar uma analogia entre estes e a efemeridade consumista dos produtos postos a venda, o estado fugaz e transitório que estas imagens (mensagens, logotipos) representam, criadas para vender um mundo belo e perfeito.


A Comissão de seleção e premiação do II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foi constituída pelos seguintes profissionais:


Tadeu Chiarelli, Professor, pesquisador e curador;

Alexandre Sequeira, Professor e artista visual;


Marisa Mokarzel, Professora, pesquisadora e curadora.


domingo, 27 de março de 2011

Nego Fugido - Entre Folhas



Por conta da aproximação do 19º Encontro da ANPAP (Associação Nacional de pesquisadores em Artes Plásticas), este ano realizado nas cidades de São Félix e Cachoeira, foi proposto pela Profª Dra. Maria V. Gordilho Martins a elaboração de uma obra que dialogasse com o tema proposto: “Entre Territórios”.

Para a confecção desta obra artística foi apresentado um projeto em formato de coletivo, o “Entre Folhas” no qual artistas visuais seriam convidados a trabalhar usando como suporte material, ideológico uma Folha de fumo. A escolha deste como suporte deve-se ao seu fator simbólico de ligação com o contexto cultural / histórico da região do recôncavo, onde o ciclo do fumo e da cana-de-açúcar no o séc. XVI e XVII representavam moeda de scambo entre esta região e a África, inserindo no comércio local, uma economia baseada na mão-de-obra escrava (negra e indígena).







A foto escolhida foi retirada de um ensaio realizado na cidade de Santo Amaro em julho de 2008. Fui convidado a fazer um registro fotográfico da manifestação cultural Nêgo Fugido, grupo folclórico do Recôncavo Baiano.

Aproprie-me da fotografia e propus conciliar representação x real, montando a imagem figurativa (foto) no formato de mosaico. A folha seria a matéria-prima, assim como fora para a fabricação dos charutos. Essa ideia me estimulou, visto que, desconstruir uma imagem digital contemporânea e reconstruí-la com uma matéria primitiva, pareceu-me uma atitude anacrônica, mas só aparentemente. Trocar pixels por fragmentos de folhas...